A busca de um guru para chamar de meu

É extremamente mais fácil transferir ao outro a responsabilidade do saber e continuar na preguiça mental – comfortably numb.

Outro dia escutei novamente aquela expressão que diz…
“Quando você está pronto, o mestre aparece.”

E fiquei pensando nela. Como sempre, a primeira interpretação da expressão é a literal: ficar esperando que uma pessoa ou um ser de luz – externo a você – apareça, te oriente e te diga o que você tem que fazer na vida.

Vemos então pessoas e mais pessoas na busca do guru. Muitas vezes, ele nem está vestido com o nome de guru, às vezes é o médico, às vezes é a autoridade da rede social, às vezes é o jornalista, às vezes é o político, ou simplesmente o que chamamos de referência ou autoridade em determinado assunto.

Alguém que já tenha percorrido o caminho e que nos indique a direção, quando virar para a direita, quando virar para a esquerda, para que possamos executar a vida como receita de bolo.

Tudo isso também me faz lembrar meu filho de um ano. Saímos a caminhar em algum lugar aberto e, como mãe, fico atrás dele feito guarda-costas (ou anjo da guarda se você preferir a versão romântica).

Se ele vai para uma direção que não tem que ir, paro na sua frente, giro ou desvio a sua atenção e o reencaminho para onde eu quero que ele vá. Se ele anda por algum lugar que pode cair, pego a mãozinha dele para ajudar a caminhar. Ele pensa que está fazendo o que quer, mas ele está fazendo somente o que eu vou permitindo que ele faça. 

Entendemos que é porque ele tem um ano e eu sou a mãe dele. Mas usando a metáfora, você já pensou como nos comportamos como crianças pequenas esperando o guru dizer o que fazer, esperando o marido ou a esposa dizer o que fazer, esperando o chefe dizer o que fazer, esperando o governo dizer o que fazer, esperando o jornal dizer o que fazer, ou simplesmente, não fazendo nada e flutuando com a maré?

Vamos combinar que pensar dá trabalho e se expor expressando a própria opinião perante os outros, mais ainda!

É mais fácil dizer “Fulano disse tal coisa” do que dizer “eu penso tal coisa”. No meio espiritualista, também se usa dizer “fui intuído de tal coisa” ao invés de “eu penso tal coisa”.

Também é extremamente mais fácil transferir ao outro a responsabilidade do saber e continuar na preguiça mental comfortably numb. Nadando no mar da mediocridade, repetindo o que alguma outra pessoa disse, buscando ser sempre a versão mais normal, menos conflitiva e mediana de nós mesmos. Se algo dá errado, ter quem culpar. Se ver a humanidade do outro, ter onde apontar os erros.

Fazendo perguntas que massageiam o próprio ego, reclamando e apontando o que o outro ainda não fez sem mexer um fiozinho de cabelo para realizar (nem para simplesmente abrir o Google e pesquisar a respeito).

E tudo isso para quê?

Penso que fazemos tudo isso para não ter que olhar para nós mesmos. Quando conseguimos olhar, encaramos nossas virtudes e falhas, escutamos o nosso verdadeiro eu e, automaticamente, ficamos sem desculpas. E sem desculpas, temos que inevitavelmente assumir o que estamos realmente destinados a ser:

EXTRAORDINÁRIOS.

“Quando estamos prontos, o mestre aparece” é quando nós mesmos estamos dispostos a escutar, processar, refletir e dar o salto daquele loop evolutivo para o próximo.

Beijos,
Alicia

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