Ciclo da Liberdade: Da gaiola da religião à espiritualidade livre

espiritualidade livre

Conheça as cinco fases do trauma religioso. A liberdade nasce do conhecimento de si e do Todo.

Primeiramente, preciso dizer que esse conteúdo é orientado para pessoas que ainda não conseguiram superar traumas gerados por crenças religiosas. O objetivo é auxiliar quem deseja separar da experiência religiosa o que é aspecto natural, orgânico, e que colaborou com seu crescimento, do que é fundamentalismo ou dogma. Se você está feliz e realizado na sua crença ou religião, está tudo bem e tudo certo!

Saliento que o trauma não acontece apenas no sentido de religião formal, mas também em escolas filosóficas, iniciáticas, grupos de apoio, ongs e até em empresas. Esse é um dos temas ao qual sou mais sensível porque vivi essa jornada que vou apresentar para vocês. E aqui trago novamente o livro da psicóloga norte-americana Marlene Winell, em que ela aborda as cinco etapas do trauma religioso. Vou contar a minha experiência pessoal, o meu ciclo da liberdade.

1ᵃ FASE – SEPARAÇÃO

Aqui acontece o colapso da experiência religiosa. A pessoa fica em uma religião porque existem laços de um incentivo a uma espiritualidade genuína. Mas essa verdade ganha uma camada de dogma, e a camada de dogma ganha uma camada de instituição.

É nessa camada de instituição que começam os problemas, os abusos e os traumas. É quando a pessoa começa a violentar quem ela é. O falso líder religioso, sabendo do núcleo de verdade, usa o poder do dogma, da padronização, para fazer o exercício do poder institucional dele sobre a vida da pessoa que está envolvida. Ele parte de uma verdade, de algo que faz sentido para a pessoa, que mexeu no coração e na alma dela. É uma fé que uniformiza.

A pessoa fica nessa condição de abuso porque vive experiências reais que partem desse núcleo de verdade.

A separação dói. Você perde o sentido de pertencimento, de comunidade, perde amigos e fica desorientado. Precisa muita força para dar o primeiro passo da separação. É uma experiência iniciática. Não é fácil.

2ᵃ FASE – CONFUSÃO

Na minha opinião, essa confusão é emocional. Doía, para mim, perceber que eu não era mais parte da instituição. E o que mais dói é a dor causada pelo dogma, por crenças limitantes. Porque ,no plano mental, você cria uma disposição em entregar o melhor. Existe a confusão entre dogma, instituição e a verdade.

A confusão acontece também porque a pessoa não consegue mais identificar o que é verdade. No meu caso, por exemplo, eu estava me preparando para viver numa comunidade cristã e fui assistir a uma palestra em que falavam que eu tinha que ser obediente à autoridade espiritual da igreja. Eu comecei a questionar. E fui convidado a me retirar.

3ᵃ FASE – NEGAÇÃO

A confusão entre o que é verdade, dogma e instituição nos leva à negação. O sujeito vive uma fase de ateísmo, descrença, desconexão completa. Uma desorientação que gera medo e, pelo medo, vem a negação.

A minha fase de negação foi quando me mudei para São Paulo e comecei a atuar profissionalmente como publicitário com instituições evangélicas. Vi os bastidores da instituição e tudo piorou. 

E foi nessa fase de negação que ouvi um dos conselhos mais sábios do Padre Lucas, quando disse para ele que não conseguia mais acreditar, e ele me disse:

“A partir de agora, não posso mais te ajudar, você vai ter que olhar para dentro de si sozinho. Mas seu eu puder dar um último conselho, no meio dessa confusão e negação existem sementes de luz que vão te apontar para o caminho. E você vai ver que Jesus continua morando dentro de você.”

Esse conselho do Padre Lucas ecoou por pelo menos dois anos dentro de mim, e foi ele que me fez sair na negação.

4ᵃ FASE – SENTIMENTO E RECONSTRUÇÃO

Nessa fase, é como se tivéssemos um guarda roupa do nosso plano mental,  tirássemos tudo de lá e jogássemos tudo em cima da cama. Você começa a olhar para aquilo tudo e se guiar pelo sentir. Porque, sobretudo, você percebe, pela experiência, que a razão por si só não realiza.

O reencontro passa pelo sentir.

Por dois anos eu me permiti fazer o que eu quisesse, negava completamente a dimensão além do que meus olhos pudessem ver. Mas o que eu buscava era sentir de novo aquela verdade que já tinha sentido. Fui, por exemplo, num show de rock, que nunca tinha ido, e foi ótimo, mas ainda não chegava lá.

É aqui nessa etapa que muita gente chega a excessos como o da bebida, drogas, exageros sexuais. A pessoa já está cansada de negar. E começa a buscar o sentir e reconstruir um sentir que não passe mais pelo dogma ou instituição.

Até que um dia, sozinho, dento do carro, me permiti ouvir uma música antiga do tempo da igreja sobre o espírito santo. Nesse momento, senti que as forças do cosmos brotavam de novo dentro de mim. E a frase de Santo Agostinho, que li tantas vezes, fez mais sentido:

“Meu Deus, Tu me chamastes, Teu grito rompeu minha surdez.”

A voz que tinha sido calada pelo dogma ainda falava dentro de mim. Esse sentimento de reconstrução nos leva ao último estágio.

5ᵃ FASE – SENSO DE SI

Quem eu sou. Nesse momento superamos a ovelha uniforme e passamos a ser livres pensadores espiritualizados. O senso de si nos leva a descobrir nossa identidade. E aqui mora a importância do autoconhecimento e por isso ele é uma demanda urgente da sociedade.

Mas ciclo de liberdade não pode terminar no senso de si. Ninguém é sozinho. Somos seres sociais. Vivemos numa comunidade global chamada Terra.

A descoberta de quem eu sou precisa orientar o meu melhor para o outro. Não é apenas o que eu preciso.  Somente assim começaremos a entender o que é fraternidade. E compreender que ser o meu melhor só faz sentido se eu puder colaborar para que o outro também seja seu melhor. Assim, geramos uma revolução em cadeia. Vamos experimentar a liberdade, igualdade e fraternidade.

Uma liberdade que nasce do conhecimento de si e do Todo. Livre de dogmas, da imposição e de interesses institucionais.

Olhe para essas fases e identifique onde está. E você vai saber para onde vai. Faça esse exercício e me conta sua história.

Da gaiola da religião à espiritualidade livre. Da ovelhinha ao livre pensador espiritualizado.

Abraço grande,

Sempre avanti! Che questo è lá cosa piú importante!

Juliano Pozati


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