Dos Florais de Bach à Fraternidade Branca

“A causa de todos os nossos problemas é o ego e a separatividade, e esses desaparecem tão logo o Amor e o conhecimento da grande Unidade se tornem parte de nossas naturezas. O Universo é Deus tornado objetivo; ao nascer o Universo, ele é Deus renascido; ao findar, ele é Deus mais evoluído. Assim é com o homem; seu corpo é a exteriorização dele mesmo, é uma manifestação objetiva de sua natureza interna, é a expressão de si mesmo, a materialização das qualidades de sua consciência.

Em nossa civilização ocidental temos o exemplo glorioso, o grande modelo de perfeição e os ensinamentos de Cristo para guiar-nos; ele atua em nosso favor como um Mediador entre nossa personalidade e nossa Alma. Sua missão na terra foi ensinar-nos como obter harmonia e entrarmos em comunhão com nosso Eu Superior, com Nosso Pai que está no céu e, por meio disso, como obter a perfeição de acordo com a Vontade do Grande Criador de todas as coisas.

Assim também ensinou-nos o Senhor Buda, e outros grandes Mestres que de tempos em tempos vieram à terra para mostrar aos homens o modo de se atingir a perfeição. Não há caminho intermediário para a humanidade. A verdade tem de ser reconhecida, e o homem tem de se unir ao infinito plano de Amor do seu Criador.

Portanto, venham, meus irmãos e irmãs, para o glorioso resplendor do conhecimento de sua Divindade. Esforcem-se séria e firmemente para unir-se ao Desígnio Magno de serem felizes e comunicarem a felicidade, juntando-se ao grande grupo da Fraternidade Branca, cuja razão de ser é obedecer à vontade de seu Deus e cuja grande alegria está em servir seus irmãos mais jovens.”

(Trecho do livro Cura-te a ti mesmo do Dr. Edward Bach)

Você já viu uma seriema? Uma ave acastanhada dinossáurica de longas pernas com aproximadamente 90cm de altura. Por vezes ela para, levanta o bico entreaberto, contrai o pescoço num movimento sifonado em sincronia com a cabeça e emite um canto longo, estridente e aflautado que pode ser ouvido há 1km de distância. É bonito de se ver e até intimidador se estiver por perto. Na natureza temos diversos exemplos de comportamentos curiosos semelhantes que quando estudados revelam um objetivo muito claro e indispensável para a sobrevivência da espécie. Ao invés da clássica visão darwinista de seleção natural, de pressão ambiental onde o forte vence o fraco em acirrada disputa por espaço, vamos imaginar uma causalidade descendente de maneira que de cima para baixo, do sutil para o material, todos os membros da espécie da seriema apresentem o mesmo comportamento nesse plano, seguindo à risca um manual de instruções cósmico. Manual que se materializa em todos os indivíduos do grupo a sua essência animal, dando vida nesse plano denso à um projeto divino segundo a informação trazida no seu campo mórfico onde se lê que para atrair seu parceiro (ou prevendo chuva!), inconscientemente deve fazer todo esse movimento pitoresco e de sua goela sai exatamente o que o Universo programou para ela. Nesse quebra-cabeça da existência, onde cada peça se encaixa perfeitamente conforme planejamento celestial, de um campo vital primordial, estruturado sobre linhas de amor, vai se  guiando a manifestação de Deus em cada plano desde o ponto original, passando pelo nível monádico, átmico, búdico, menos e menos sutis, do mental ao astral, etérico e finalmente para o físico forjando a realidade que conhecemos nessa galáxia. “O que está em cima é como o que está em baixo, e o que está em baixo é como o que está em cima”. Como escreveu Bach – o Universo é Deus tornado objetivo. Na tradição Hindu, Brahma expira o nascimento do Universo, que se expande através das correntes do amor manifestado, vivencia a experiência da criação sob diversas formas e em infinitos planos para depois inspirar o aprendizado assim findando o Universo como Deus mais evoluído.

O ser humano em toda sua complexidade e multidimensionalidade destacado por sua autoconsciência e seu livre-arbítrio, vem imbuído de infinito potencial para experienciar a realidade e na sua manifestação mais pura também pode dar vazão à energia primordial do amor universal. Entre a nossa personalidade encarnada e a Causa Primária de todas as coisas existe uma trilha de tijolos e no meio dessa trilha está o nosso Self. Jesus nos mostrou como estarmos alinhados com esse Self, com nosso Eu Superior, permitindo que orientados pelo infinito plano de Amor do Criador nós estivéssemos em harmonia com nosso propósito. Bach compreendeu esse fluxo sutil de informação na Natureza, inicialmente talvez de forma inconsciente, entrou em ressonância com a vibração cósmica e passou a perceber a função de algumas  plantas assim como a moléstia emocional que seria capaz de sanar. Da mesma forma que Edward Bach em 1928 criou na Inglaterra seus 3 primeiros florais, a nossa compatriota Neide Margonari sentiu no início da década de 90 um chamado espiritual para exercer “o Dom da sua Alma” deixando de lado sua bem sucedida carreira em arquitetura, design e artes plásticas para intuir também as funções curativas de flores brasileiras assim como conhecimentos sobre a grande Fraternidade Branca, criando os conhecidos florais de Saint-Germain. Interessante por exemplo que o algodão que trançamos em tecidos, mas também usado para remoção de cosméticos e na assepsia de ferimentos, na sua versão de essência floral Gossypium religiosum permite uma limpeza profunda em planos sutis, em níveis mentais e até acima. Efetua portanto o mesmo papel, o mesmo propósito de maneira multidimensional, sem preguiça, sem medo, sem insegurança, vergonha ou qualquer dúvida. Exerce sua função em todos os níveis, com pleno amor e consistência, do início ao fim da sua jornada.

Uma vez um sábio disse mentalmente para outro sábio: “A gente trabalha até onde nós podemos amar, até onde nosso coração pode assimilar. (…) Se a gente trabalha muito e aquilo fica mecânico, é onde acontece o adoecimento.” (Dr. Sérgio Felipe em sua aula inaugural ao vivo pelo Círculo dia 03/02/20). Assim como uma bananeira que fica limitada à sombra de uma árvore maior não se desenvolve, um grupo de salmões que não migrar rio acima desaparece, um homem que não exerce seu propósito tende a adoecer. Quando se desalinha do planejamento do seu fluxo programado de amor pode cedo ou tarde precisar de uma doença para apontar seu coração para o caminho certo. Podemos nos espelhar em nossos irmãos minerais, vegetais e animais que vivem fielmente seu propósito na matéria (e acima dela), manifestando Amor divino conforme ensinado por Jesus e lembrar que somos constantemente guiados e inspirados por nosso próprio Eu Superior assim como por  seres mais adiantados no caminho evolutivo a exemplo da Fraternidade Branca já citada por Bach lá no início dos seus trabalhos, nessa nossa jornada de retorno à Unidade.

Edward Bach (1886-1936): médico inglês que inspirado na homeopatia de Hahnemann criou intuitivamente os primeiros florais em 1928. Sistema natural de cura que trata a origem das doenças atuando nos estados mentais e emocionais negativos. Em 1930 publicou sua principal obra “Cura-te a ti mesmo”. “A terra para nutrir a planta, o ar a partir do qual ela se alimenta, o sol ou o fogo que a capacita a comunicar o seu poder e a água para colher e ser enriquecida com sua cura magnética benéfica.”

 

Por René Borges
Aluno do Círculo

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