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Epicteto e a arte de aprender com os erros

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No capítulo 50 olhamos para aqueles momentos da vida que nossa consciência julga como negativos

Epicteto diz que se conquista o progresso espiritual enfrentando a morte e as calamidades:

“Em vez de desviar os olhos dos acontecimentos dolorosos da vida, olhe para eles diretamente e contemple-os com frequência. Enfrentando a realidade da morte, das enfermidades, das pedras e das decepções, você se liberta de ilusões e falsas esperanças e evita pensamentos mesquinhos de inveja”.  Capítulo 50, de A Arte de Viver, de Epicteto.

De modo geral somos pessimistas por natureza e acabamos focando no pior das coisas. Temos uma tendência a reclamar de tudo e nos vitimizar com certa facilidade. Por outro lado, existem as pessoas mais positivas, que não querem olhar para nada de negativo. Tudo tem que ser perfeito, o mundo de Poliana.

Eu acho interessante o que o Epicteto traz nessa passagem porque isso de escolher só os caminhos bonitos não elimina as avenidas feias da vida. Elas vão chegar e pedem a sua providência, seu protagonismo. Quando a gente contempla aquilo que é duro, negativo, que pesou e doeu, nos movimentamos, somos chamados à ação. E quando a gente fica apenas na visão positiva, corremos o risco de desviar nosso solhos de detalhes preciosos que as “derrotas” nos trouxeram.

Eu comecei minha empresa com 19 anos, quando terminei o curso técnico em publicidade e propaganda. E logo quebrei uma vez, duas vezes, mudei a rota, levei três grandes pancadas da vida. A primeira vez eu era muito novo, idealista. Fiquei com dívidas e meus pais, que sempre foram muito corretos, tiveram que me ajudar a pegar dinheiro no banco. Poucas coisas nos ensinam tanto quanto pessoas ligando para cobrar e você ter que dizer que não tem a grana no momento, que está trabalhando para pagar. Você aprende, cresce, vira gente.

Eu sofri muito nesse período, mas foi errado? Eu acho que não. Por causa desse momento eu conquistei muitas coisas depois. Morei longos e ótimos anos em São Paulo, trabalhei muito, virei noites, fiz a faculdade de marketing, pós-graduação em estratégia militar, onde conheci um professor que me apresentou General Paulo Uchôa, filho do General Uchôa, que hoje é o grande patrono espiritual do Circulo.

Eu olho pra traz e penso, será que aquele erro foi um acidente? Ou era exatamente o que eu precisava viver para que tudo que eu faço hoje pudesse acontecer?

Nós somos construídos com cada episódio da nossa vida, não apenas com os positivos ou por àqueles que nossa consciência limitada acha que são negativos. Mas, sobretudo, por aqueles que balançam a gente.

A vida nos ensina em todos os momentos.

Não se trata de ser negativo ou positivo em excesso, mas como diz Epicteto, contemplar os episódios da vida e o que eles querem nos dizer. Quando olhamos a vida sob um espectro maior percebemos que tudo se conecta em prol da nossa evolução.

Sempre avanti! Che questo è lá cosa piú importante!

Juliano Pozati


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