Niver do Tio Hippolyte, Allan Kardec

No dia 3 de outubro de 1804, na cidade de Lyon, França, nasceu Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido como Allan Kardec e aqui no Círculo apelidado carinhosamente de Titio Hippolyte… Quer dizer, não é bem “aqui no Círculo”. Assumo a responsa pelo apelido.

O fato é que esse grande pensador foi o responsável por consolidar os conhecimentos trazidos por uma egrégora chamada Espírito da Verdade em obras que depois vieram a ser conhecidas como a “Doutrina dos Espíritos“. O curioso desse processo é que, sendo um acadêmico e educador competente, Hippolyte procurou analisar qualitativamente o imenso fluxo de informações recebidas por grupos mediúnicos distintos que não se comunicavam fisicamente entre si. Esses grupos eram formados por pessoas que desenvolveram sua habilidade de transitar entre realidades, recebendo informações do mundo espiritual por diversos modos (psicografia, escrita direta, codificação de batidas, psicofonia, etc). Algumas fontes sugerem que centenas de grupos que mantinham contato com Kardec e enviavam as mensagens recebidas por carta ao professor francês.

O trabalho constitui-se numa análise crítica de cada mensagem, procurando seus pontos de similaridade, concordância ou harmonia filosófica vezes o número de ocorrências, identificando assim o que Kardec veio a chamar de Universalidade do Ensino dos Espíritos. O esforço foi monumental, pautado sobretudo na lógica e na racionalidade de alguém que conseguiu desenvolver um método científico para catalogação de saberes transcendentais.

A vida futura deixa de ser uma hipótese para ser realidade. O estado das almas depois da morte não é mais um sistema, porém o resultado da observação. Ergueu-se o véu; o mundo espiritual aparece-nos na plenitude de sua realidade prática; não foram os homens que o descobriram pelo esforço de uma concepção engenhosa, são os próprios habitantes desse mundo que nos vêm descrever a sua situação. – O Céu e o Inferno

Uma das coisas que mais me fascinam em Kardec, e com a qual me identifico plenamente, é que ele fora um grande observador / experienciador. Não bastava apenas o relato. Kardec queria ver, pôr à prova, testar, encontrar a lógica e a razão por trás dos fatos que a uns entretinha e a outros provocava curiosidade rasa. Ele sabia que, diante do fenômeno espiritual manifesto em nossa dimensão pelas ditas “Mesas Girantes”, toda filosofia humana poderia ser ressignificada.

Fatos novos se apresentam, que não podem ser explicados pelas leis conhecidas; ele os observa, compara, analisa e, remontando dos efeitos às causas, chega à lei que os rege; depois, deduz-lhes as consequências e busca as aplicações úteis. Não estabeleceu nenhuma teoria preconcebida; assim, não apresentou como hipóteses a existência e a intervenção dos Espíritos, nem o perispírito, nem a reencarnação, nem qualquer dos princípios da doutrina; concluiu pela existência dos Espíritos, quando essa existência ressaltou evidente da observação dos fatos, procedendo de igual maneira quanto aos outros princípios. Não foram os fatos que vieram a posteriori confirmar a teoria: a teoria é que veio subsequentemente explicar e resumir os fatos. É, pois, rigorosamente exato dizer-se que o Espiritismo é uma ciência de observação e não produto da imaginação. As ciências só fizeram progressos importantes depois que seus estudos se basearam sobre o método experimental; até então, acreditou-se que esse método também só era aplicável à matéria, ao passo que o é também às coisas metafísicas. – A Gênese

O Círculo não faz parte oficialmente do movimento espírita, do ponto de vista religioso / institucional mas, compreendendo a qualidade do trabalho desenvolvido pelo Titio Hippolyte e sua lógica inegável, reconhecemos a sua grande contribuição para a construção do saber humano integral, onde todas as escolas de conhecimento se abraçam em prol da grande transição. Se parte da nossa missão como “movimento filosófico livre e espiritualizado” é “levar o conhecimento integral para o ser integral” não podemos ignorar a sua grande contribuição nos caminhos evolutivos de nossa humanidade, e o quanto essa contribuição é capaz de dialogar de peito aberto com outras escolas de mistério e saber.

Registramos neste artigo nossa homenagem, reconhecimento e gratidão à este grande reformador de consciências:

“A missão dos reformadores está sempre cheia de escolhos e de perigos; a tua é rude, disso te previno, porque é o mundo inteiro que se trata de agitar e transformar.”
Espírito da Verdade

Os primeiros 18 minutos de introdução à versão brasileira do documentário The Afterlife Investigations, traz alguns comentários pontuais sobre a forma de pensar de Kardec. Vale a pena revisitar e absorver.

Abraço grande,
Sempre avanti! Che questo è lá cosa piú importante!

Juliano Pozati

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