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O Conhecimento acessado por Sócrates, Platão e Aristóteles também era gerador de movimento e transformação, assim como a proposta do Círculo. Curioso, não? Sem dúvida, o Conhecimento é um dos eixos mestres da humanidade. É ele que coloca a vida em movimento e a transforma, a transmuta, possibilitando a abertura para novos mundos e entendimentos, completando ciclos e iniciando novos.

Olhar e absorver os conhecimentos do passado histórico nos faz mais conscientes do nosso entendimento do presente, como se melhorasse a compreensão da nossa biografia. E essa biografia tem, na trindade grega clássica: Sócrates, Platão e Aristóteles, um dos seus mais enraizados fundamentos do conhecimento. Logo, absorver os ensinamentos desses grandes analistas da realidade é ter em nossas mãos um extenso manancial do qual podemos tirar proveito e lições para as nossas angústias, incertezas, obscuridades e dúvidas.

Sócrates de acordo com alguns historiadores era filho de parteira e, assim como sua mãe, levava ao ato de “nascer”, ajudando a dar à luz. Ele não respondia perguntas. Fazia com que os seus concidadãos gregos encontrassem por seus próprios meios as respostas das perguntas a ele inquiridas. Era a sua maiêutica*, era o mergulhar profundo em si mesmo por meio da sua frase “conhece-te a ti mesmo”.

Platão, o grande discípulo de Sócrates, com seus inúmeros escritos, aprofundou a arte filosófica. Deu um caráter mais amplo tratando de temas como verdade, virtude, política, amor etc. Tem muito de ideias teológicas em suas obras, principalmente quando formula seu Demiurgo, o Grande Artífice, a causa criadora do mundo, em sua obra Timeu. Com isso, buscou demonstrar a existência de formas ideais e perfeitas, como formas e padrões para a conduta humana.

Aristóteles, discípulo de Platão, talvez o mais conhecido e influente filósofo do ocidente, a quem São Tomás de Aquino chamava de “O Filósofo”, nos deixou um grande legado filosófico por meios de temas que passeiam pela ética, política, lógica, biologia, arte etc. Embora muito dos seus escritos tenham se perdido, a profundidade do que ficou orientou de forma enraizada a jornada do conhecimento no ocidente. Diferente de Platão, que defendia a origem das ideias vinda de um mundo perfeito, Aristóteles argumenta que a essência das coisas está na própria coisa e não fora dela, numa realidade ideal. É o seu “ser enquanto ser”, como são e o que são as coisas.

Assim, nessa dança universal cósmica e também individual do conhecimento gerador de movimento e transformação, o olhar histórico para a filosofia coloca o homem em seu papel fundamental durante a sua trajetória terrestre: a importância cabal de se olhar a realidade das coisas, de absorver o real, o que está a nossa volta, nas circunstâncias em que estamos imersos nesse momento histórico. Utilizando a frase do filósofo espanhol José Ortega Y Gasset que diz: “a vida não foi nos dada pronta, só cabe a nós a preenchermos…” fica a pergunta: com o que inundaremos nosso dia a dia para fazer esse preenchimento? Essa resposta, acredito, se inicia com esse olhar ao passado.

* A maiêutica socrática tem como significado “dar à luz”, “parir” o conhecimento. É um método ou técnica que pressupõe que a verdade está latente em todo ser humano, podendo aflorar aos poucos na medida em que se responde a uma série de perguntas simples, quase ingênuas, porém perspicazes.

Sócrates conduzia este “parto” em duas etapas:

  • Na primeira, levava o interlocutor a duvidar de seu próprio saber sobre determinado assunto, revelando as contradições presentes em sua atual forma de pensar, normalmente baseadas em valores e preconceitos sociais.
  • Na segunda, levava o interlocutor a vislumbrar novos conceitos, novas opiniões sobre o assunto em pauta, estimulando-o a pensar por si mesmo.


Ou seja: a maiêutica primeiro demole, depois ajuda a reconstruir conceitos, transitando do básico ao elaborado, “parindo” noções cada vez mais complexas.

A autorreflexão, expressa no nosce te ipsum – “conhece a ti mesmo” — põe o Homem na procura das verdades universais que são o caminho para a prática do bem e da virtude.

Guilherme Almeida

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Participe da discussão sobre esta aula Um comentário

  • cristiane.zapelini disse:

    Na última semana iniciei a leitura do prefácio de um livro e esta citação me chamou a atenção: “Uma nova verdade científica não triunfa ao convencer seus antagonistas e fazê-los enxergar a luz, mas sim porque estes morrem e surge uma nova geração já familiarizada com ela.” MAX PLANCK
    Talvez a maiêutica socrática seja um exercício para gerar o conhecimento, pois nem sempre vai convencer alguém e levar ao autoconhecimento. Mas as verdades universais serão eternas e novas gerações poderão usufruir.

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