Seu pior inimigo não existe

inimigo

Precisamos dialogar com as situações para ter a habilidade de responder à vida.

Qual é o seu pior inimigo? Se eu fosse listar aqui, cada um de nós tem um batalhão deles: inveja, desculpas, procrastinação, raiva, medo… Mas então você está dormindo com o inimigo, porque isso está dentro de você. Vamos dar um passo atrás? Por que estou vendo isso como meu pior inimigo? Porque está me impedindo de realizar.

Já percebeu como estamos impregnados dessa linguagem bélica?

Ou então criamos um personagem e transferimos a responsabilidade. Jogamos na conta do diabo ou de alguém o que estamos rejeitando em nós. E toda vez que começamos a usar essa linguagem de guerra, estamos nos fragmentando ainda mais. Esse processo de fragmentação é o oposto do processo de evolução. O movimento correto é olhar para dentro.

Essa linguagem de guerra tem muita influência do cinema, é utilizada estrategicamente como arma ideológica.

Quando fiz a pós-graduação em estratégia militar, estudei o pensamento estratégico de comunicação de Paul Joseph Goebbels, Ministro da Propaganda na Alemanha Nazista. Ele usava uma cartilha com dez regras de manipulação das massas. Uma dessas regras era “o inimigo único”. Ele dizia que o povo é burro, não pode ter muita coisa para pensar, e que é binário. A culpa de todos os problemas tem que ficar em um único inimigo eleito. Assim, todos se sentem aliviados das próprias responsabilidades e apoiam quem se dispõe a enfrentar o único inimigo. No caso do nazismo, a culpa de todos os problemas era dos judeus.

Essa estratégia foi criada na campanha nazista e até hoje é usada nas disputas politicas e religiosas.

Quando os Estados Unidos entraram na segunda guerra mundial fizeram o quê? Inimigo único, que passaram a ser os soviéticos. Quando terminou a União Soviética, os inimigos passaram a ser os muçulmanos extremistas.

E aqui não estou com juízo de certo ou errado. Estou analisando a comunicação e a manipulação das massas. E o cinema é usado para isso: Indiana Jones lutava primeiro contra os nazistas, depois os soviéticos, depois contra os árabes. O Rambo matava vietnamitas.  São décadas de linguagem de guerra impregnadas na nossa cabeça.

A questão é que ela não se aplica ao ser humano, porque na essência somos vocacionados à unidade, à integração, a ser uno com o Pai de todas as coisas. Essa linguagem de guerra tem um objetivo muito claro: dividir para dominar.  

As redes sociais são outro exemplo disso. Nós nos comunicamos apenas com nosso mundinho, com quem pensa igual, e vamos perdendo contato com a outra extremidade. Só que eleger inimigos não traz a solução.

Exemplo: Procrastinação.

A procrastinação não é sua inimiga. Ela está dentro de você. Pare de falar “a procrastinação”, pois o procrastinador é você!

Veja a diferença no discurso:

1 – “Ah, a procrastinação é o maior inimigo da minha vida, ela me impede avançar e realizar…”

2 – “Eu estou um pouco procrastinador ultimamente e, talvez, eu precise olhar para mim para entender porque não estou disposto a avançar na minha realização nesse momento.”

Vejamos mais um exemplo da nossa história recente: do jeito que falavam do *Saddam Hussein na década de 1990, era como se quando ele morresse o reino de Deus fosse baixar na Terra. E daí o que aconteceu? Veio o Bin Laden.

Pensa comigo, quem lucra quando somos neuróticos, cheios de medo, de inimigos? Alguém está ganhando muito dinheiro com isso. Mas ele está tão disfarçado na nossa fragmentação social nem nos damos conta. Na verdade, precisamos começar a olhar para nossa linguagem. Ressignificar a linguagem muitas vezes nos ajuda a adquirir novas posturas.

Com quais situações na sua vida você está lutando?

Quem luta não dialoga. E precisamos dialogar com as situações para ter a habilidade de responder à vida. Por isso, convido você a praticar o exercício da linguagem da integração e da paz.

Então, ao invés de devolver com ódio as expressões do mal, reconheça que o mal é um estado, não é natureza. 

Abraço grande,

Sempre avanti! Che questo è lá cosa piú importante!

Juliano Pozati


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