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“A tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê.”

Arthur Schopenhauer

Em um minuto. Repito: em apenas um minuto, 400 horas de novos vídeos são compartilhados por usuários no YouTube em todo mundo; 6,4 milhões de vídeos são assistidos no Snapchat; 86.805 horas de vídeos são exibidos via Netflix. Em apenas sessenta segundos, o Google Tradutor faz mais de 69 milhões de traduções; 2,4 milhões de likes são dados só no Instagram; o Dropbox recebe o upload de 833.333 novos arquivos e os usuários do Facebook compartilham mais de 200 mil fotos pelo Messenger. Tudo em apenas um minutinho.[1]

É no mínimo impressionante o volume de dados gerado pelos usuários da internet no planeta Terra em um único minuto. Tudo isso que acabei de descrever aconteceu somente enquanto você lia o parágrafo anterior.

Com tantos dados e informações à disposição, a Internet é cada vez mais a fonte de pesquisa e conteúdo para muita gente. O Brasil está acima da média mundial quando o assunto é busca por informações na internet. Para 47% da população brasileira, a web é a primeira fonte de consulta, enquanto que para o restante do mundo, esse percentual registra uma média de 45%.[2]

O problema que quero analisar com você é o seguinte: com o hábito de consultar a internet para tudo, sobre tudo e todos (quem nunca? – risos), de alguma forma corremos o risco de ignorar conceitos filosóficos fundamentais e simplesmente absorver qualquer asneira online como se fosse uma verdade absoluta e inquestionável. A variedade de dados, informações e conteúdos é tanta que fica difícil distinguir o que é relevante e o que não é.

Veja, isso não é culpa da internet. E nem estou aqui para demonizar a bichinha. Nós provavelmente nos conhecemos por “culpa” da internet, afinal é onde publico todos os meus trabalhos e pensamentos. Mas o fato é que muitas vezes as pessoas se comportam como gado de manobra, seguindo a manada como que por instinto. “Se todos estão indo por essa direção eu também vou, afinal de contas devem estar certos”. É um pensamento instintivo de sobrevivência, afinal, é mais fácil sobreviver em grupo do que sozinho. Mas é um pensamento limitado, além de falho, muito vezes . “E, oô, vida de gado, povo marcado, povo feliz”, já dizia a canção.

Para todos nós se tornou essencial, portanto, o desenvolvimento de um senso crítico apurado para distinção do que é o que diante do volume de informações ao qual somos submetidos todos os dias.

Para tanto, eu penso que seja fundamental trazer à luz alguns conceitos e definições para que a gente consiga falar a mesma língua ao longo desta obra, e para que fique claro o que estamos construindo a partir do CÍRCULO, da Pozati Filmes. Primeiro, quero dividir com você a minha ideia sobre Dados, Informações, Conteúdos e Conhecimento. É uma visão pautada, em partes, na minha formação acadêmica e, em partes, na minha jornada espiritual. Tratam-se de conceitos que me ajudam a definir um ponto focal para minha visão de mundo. Sim, combinei conceitos de inteligência estratégica e escolas esotéricas (quem disse que não podia? – risos). E os divido com você não porque quero impor minha percepção, mas porque quero colocá-la em discussão neste grande círculo do saber que estamos construindo juntos. É importante que você a conheça porque a partir deste ponto, e em todas as atividades do Círculo da Pozati Filmes, sempre farei menção a estes conceitos. Então, vamos começar?

DADOS

Dados são realidades quantificadas. Ou seja, são realidades que por sua repetida manifestação podem ser agrupadas e por isso expressam volume. Por exemplo, eu moro num apartamento. Isso é uma realidade isolada. Mas talvez você também more em um apartamento. A partir do momento em que essas duas realidades vêm à luz, que ficamos cientes deste fato, e organizamos essa ciência num conjunto, temos um dado. O IBGE, por exemplo, consolida dados sobre a geografia e a estatística brasileira. O que ele retrata em seus relatórios são dados que representam realidades quantificadas, realidades que podem ser contadas e agrupadas em conjuntos por alguma similaridade.

Por exemplo, segundo o instituto no senso de 2010, só na cidade de São Paulo vivia m 531.822 pessoas que se declaram “espíritas”; 2,4 milhões que se declaram “evangélicas” e 6,5 milhões “católicas”. Veja que o dado é bruto e não traz nenhuma qualificação adicional, nenhum detalhe. Ele só quantifica por uma característica e ponto. Eu não posso dizer se são médiuns, espíritas fervorosos, se leram a obra de Kardec ou se estudam as psicografias de Chico Xavier. Não posso dizer se praticam algum voluntariado, se são pessoas de bem, nada disso. Só posso dizer que são 531.822 pessoas que se declaram “espíritas”, porque eu só tenho um dado, ou seja, uma realidade quantificada e delineada por um conceito. Simples assim.

INFORMAÇÕES

Quando nós acompanhamos a evolução de um dado e/ou o correlacionamos com outros dados, estabelecendo padrões, conexões, ou evoluções, nós temos uma informação. Então Informações são Dados correlacionados para propagação. A informação é imparcial e mostra as possíveis consequências dos dados apresentados. Uma notícia, por exemplo, oferece (ou deveria oferecer) uma informação a partir de dados reais consolidados. Por exemplo, no dia 19 de maio de 2017, o Jornal Estadão noticiou que a JBS distribuiu propina a 1.829 candidatos de 28 partidos[3]. Vários dados foram correlacionados para gerar essa informação.

  • Primeiro dado: A JBS pagou propina a políticos brasileiros.
  • Segundo dado: Não foram poucos candidatos, foram 1.829 candidatos abonados pela propina.
  • Terceiro dado: Não foi apenas de um partido, mas foram candidatos de 28 partidos (num universo de 35 partidos registrados no TSE, ou seja, 80% dos partidos).

Você viu que interessante? Dados correlacionados geram informações imparciais. Porque imparciais? Porque não há análise, classificação, juízo de valor ou opinião sobre o que foi apresentado. Há apenas a informação bruta por assim dizer. Só que essa informação é importantíssima, porque a partir do contato com ela é que esse processo começa a acontecer. Começamos a analisar, classificar, julgar e construir uma opinião sobre as circunstâncias de tal informação. E isso nos leva à construção de conteúdos pessoais que fazem sentido para nós. E por que esses conteúdos são tão importantes? Porque são eles que vão nos ajudar a pautar as nossas decisões e atitudes no futuro. Eles consolidam, de certa forma, a nossa percepção sobre a realidade que nos cerca.

CONTEÚDOS

Dentro desta linha de pensamento que estamos construindo juntos, os Conteúdos são informações organizadas, processadas e enriquecidas conceitualmente pela inteligência humana. Os Conteúdos recebem senso de utilidade a partir da visão pessoal de um ou mais seres humanos. As universidades geram conteúdos, as bibliotecas estão cheias de conteúdos, os livros propagam conteúdos. A Internet disponibiliza muito conteúdo: conteúdos históricos, científicos, emocionais, psicológicos, etc.

Vamos voltar ao exemplo da notícia dada pelo Estadão sobre as propinas pagas aos candidatos brasileiros. No conceito anterior nós percorremos os dados que foram correla-cionados para gerar a informação contida nessa notícia. Essa informação pode servir de base para a construção de inúmeros Conteúdos a partir de sua análise e processamento pela inteligência humana. É possível, por exemplo, correlacioná-la com outros dados para gerar mais informações que, uma vez processadas pela inteligência humana, gerarão Conteúdos importantes. Por exemplo, analisando a história da corrupção no Brasil, o índice de crescimento da empresa JBS, bem como os gastos de cada um dos candidatos, será possível gerar todo um conteúdo sobre o modus operandi do esquema de corrupção e as suas consequências sociais, para citar um exemplo absolutamente em voga nos dias de hoje.

Logo, toda produção do saber humano a partir dos dados colhidos e informações processadas geram conteúdos. Métodos, processos, procedimentos, padrões, regras, leis, etc, são Conteúdos. Mas por que estou tornando o conceito de conteúdo tão amplo? Você vai compreender a partir da definição que proponho para Conhecimento. Veja a seguir.

O CONHECIMENTO

Entendo que o Conhecimento é um estado de conexão transcendental com A Verdade, ou a porção da Verdade que somos capazes de suportar segundo nosso estágio evolutivo. Este estado de conexão é uma experiência íntima e individual, vivida a partir dos Conteúdos com que entramos em contato.

O Conhecimento é acessado a partir de uma predisposição à sua busca. Por exemplo: você está lendo artigo porque se interessou pela proposta do Círculo, da Pozati Filmes. Tudo o que estou apresentando nestas linhas para você são Dados, Informações e Conteúdos que processei. Eu não consigo transmitir ou ensinar o Conhecimento para você. Ninguém pode. Tudo o que eu posso fazer, parafraseando Sócrates, é provocar o seu pensamento com os dados, informações e conteúdos que estou apresentando. Essa provocação vai desencadear um processo de pensamentos “dentro de você”, e é aí, “dentro de você” ou “em você”, que o acesso/conexão ao Conhecimento vai acontecer.

Vou te dar um exemplo para tentar tornar esse conceito o mais claro possível, porque é fundamental, a partir deste ponto, que você saiba reconhecer perfeitamente cada uma dessas definições: Dados, Informações, Conteúdos e Conhecimento. Porque a partir de agora elas serão fundamentais para que a gente construa juntos as ideias que se seguirão no Círculo. Vamos ao exemplo.

Um Dado: existem milhões de homens em todo o mundo que são pais. Casados, solteiros, viúvos, seja como for. Eles são pais. A paternidade é uma realidade que pode ser quantificada, ou seja, a gente pode contar. Vamos estimar que exista hoje 1 bilhão de pais no planeta. Quantificamos uma realidade. Logo, temos um Dado.

Agora vamos correlacionar o nosso dado com outros dados para construir uma informação propagável. A paternidade acontece em todos os países, em todos os lugares do mundo, independentemente de raça, cor, religião. É uma condição inerente à natureza do ser humano. Cruzamos o nosso Dado original com outros Dados, logo temos uma Informação.

A partir dessas e outras informações, é possível gerar uma série de Conteúdos sobre a paternidade. Imagine, por exemplo, quantos livros existem sobre o tema ao redor do mundo. Aspectos sociais, econômicos, emocionais, psicológicos da paternidade. Dicas de relacionamento para pais e filhos, dicas sobre como ser um pai diante da tecnologia, etc. São tantos Conteúdos, tantos livros, que seria possível encher uma biblioteca inteira com eles. No entanto, nem todos os livros do mundo juntos sobre paternidade seriam capazes de transmitir o Conhecimento que um homem acessa no exato momento em que vê o seu filho nascendo pelo ventre de sua mulher. A partir da experiência do Conhecimento, todo conteúdo é ressignificado de dentro para fora.

Desta forma, se o Conhecimento é um estado de conexão transcendental com A Verdade, uma experiência íntima e individual, vivida a partir dos Conteúdos com que entramos em contato, então ele é uma porta aberta pela consciência humana para o mundo das ideias, o mundo de todas as causas, a não-localidade, por assim dizer.

Nós vamos falar muito mais sobre o Conhecimento nas aulas do Círculo porque entendemos que ele é a base de todo Movimento que gera toda Transformação genuína. Esses são os três pilares fundamentais do Círculo, da Pozati Filmes. Por hora, e para o objetivo deste arquivo, esta noção do Conhecimento será suficiente para avançarmos em nossa reflexão.

Aliás, reflexão parece ser uma palavra-chave. Retomando o pensamento de Schopenhauer, “a tarefa não é tanto ver aquilo que ninguém viu, mas pensar o que ninguém ainda pensou sobre aquilo que todo mundo vê”. Diante dos novos conceitos que estruturamos juntos, eu complementaria dizendo que a tarefa não é buscar desenfreadamente novos dados, assimilar o máximo possível de novas informações ou acumular o maior número possível de conteúdos. Tudo isso tem pouco valor se você não for capaz de acessar o Conhecimento, deixando que ele se traduza em Movimento e Transformação dentro de você.

Na página 22 eu criei um gráfico bem bacana para ajudar você a lembrar do conteúdo desse capítulo. Você vai perceber que é como escalar uma montanha, cujo topo representa o Conhecimento e a base, os Dados. A medida em que você vai escalando esta montanha numa verdadeira jornada transcendental, mais ampla e completa vai se tornando a sua visão do mundo e do todo, como na imagem ilustrativa da capa do e-book Exoconsciência. A consciência que acessa o Conhecimento vai se expandindo em compreensão e conexão com o todo.

“Tenho a impressão de ter sido uma criança brincando à beira-mar, divertindo-me em descobrir uma pedrinha mais lisa ou uma concha mais bonita que as outras, enquanto o imenso oceano da verdade continua misterioso diante de meus olhos.”

Isaac Newton

Abraço grande! Sempre avanti!
Che questo è lá cosa piú importante!

J.

Este artigo integra o conteúdo do e-book Exoconsciência, disponível gratuitamente para download à todos os membros iniciados do Círculo. Clique aqui para baixar o seu em PDF.

 

 

 

 

[1] Domo, via Exame.com. http://exame.abril.com.br/tecnologia/veja-o-que-acontece-durante-apenas-um-minuto-na-internet/ Consultado em 17 de julho de 2017.

[2] Pesquisa Target Group Index, desenvolvida pela Kantar Media e difundida pelo IBOPE Media no Brasil e na América Latina.

[3] Estadão online. Consulta em 17 de julho de 2017

Juliano Pozati

Quem escreveu Juliano Pozati

JULIANO POZATI É ESCRITOR, DOCUMENTARISTA E ENTUSIASTA DE NOVAS IDEIAS QUE INSPIREM A SUPERAÇÃO DE PARADIGMAS OBSOLETOS NAS ÁREAS DE CIÊNCIA, FILOSOFIA, ESPIRITUALIDADE E EXOCONSCIÊNCIA.

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